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O dia em que Morfeu me levou ao estádio

Voltei à Grécia para assistir a um AEK para a Champions. (sim, para a Champions, eu sei.)
Fui sozinha para variar. Entrei no estádio, estava já no meu sector e dirigi-me a um balcão de produtos oficiais. O jogo estava prestes a começar. Queria a camisola. A senhora arranhava português. Metia conversa, atrasava-me. O jogo começava e eu ficava nervosa por ainda ali estar. Ela dizia-me que afinal aquilo não eram produtos oficiais e mostrava-me uma camisola de outro clube.

Pensei: pelo menos trouxe o meu cachecol. Tirei-o do bolso e percebi que me tinha enganado. Aquele cachecol era branco com listas fininhas azuis e vermelhas. Era o cachecol do Real. Perguntei à senhora se tinha o cachecol. Procurava, procurava e não encontrava. O jogo começava. Eu desesperava. Fui de propósito para ver aquele jogo e já estava a perder os primeiros minutos.

Não sei se no meio disto ou antes via pela tv o Clayton a marcar um golo com a camisola do Porto vestida. Sim, o Clayton do Porto de 2000!

Voltei a Atenas. Estava no estádio. Jogo a decorrer. Eu a tentar sair do balcão que ficava junto à minha porta. Saí a correr sem comprar nada. Já a choramingar por perder os primeiros minutos. Quando estou mesmo a chegar àquela que seria a minha porta, olho para o bilhete. Porta errada. Começo a correr desenfreadamente para o lado esquerdo até que percebo que os números estão a descer em vez de subir. Volto a choramingar, com mais intensidade agora. Corro na direção contrária. A primeira parte já ia a meio. Que estupidez! Como é que deixei isto acontecer???


Chego à última porta. À porta limite dentro daquele setor e falta um número. Percebo que tenho de sair do estádio para chegar à minha porta.

Novo desespero. O jogo a decorrer quase a atingir o final da primeira parte. A minha ansiedade crescia. Já fora do estádio começo a correr. Vejo uma rua com uma subida que parece infinita. Continuo a correr. Não consigo ver o que vem depois. Não sei se aquele é o caminho certo. É aí que percebo que não vou conseguir. É um estádio olímpico. Nunca vou conseguir contorná-lo a tempo. Penso em chamar um táxi. “Não acredito! Não acredito! Vou perder o jogo!” Já não choramingo. Choro. Fui de propósito para ver aquele jogo e vou perder todos os minutos. A ideia do táxi volta-me à cabeça. Estou numa rua deserta a olhar para o estádio com a rua íngreme do meu lado direito. É neste momento que acordo cheia de ansiedade. Acordar é uma forma de dizer. Estou num limbo esquisito.


Percebo: estava a sonhar. Estava a sonhar... Cheia de sono. Ainda como os olhos a colar, escrevi este texto cheio de erros e gralhas. Só para fugir à agitação que aquilo me estava a causar.
 

Adormeci quase uma hora depois. Voltei a Atenas para ver um jogo. Mas eram já tempos de corona, as agitações eram outras.

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