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O meu primeiro palavrão

Neste dia, há 20 anos, a minha avó paterna jurava ter-me ouvido dizer o meu primeiro palavrão. Eu acho que só disse merda, mas ela morreu convencida de ter ouvido bem pior. A culpa foi do Abel Xavier. Mentira! Na altura, atribuí as culpas ao árbitro.

Eu tinha 11 anos e estava a passar férias em casa da minha avó. A única memória que tenho do jogo é precisamente a do penálti. Esse lance resultou numa saída tempestiva da cozinha onde eu e a minha avó assistíamos atentamente, eu ao jogo, ela ao meu comportamento. Ela estava sentada à minha direita e olhava-me com aqueles grandes olhos azuis que sobressaíam no meio das rugas. Não me lembro do que me disse, mas sei que levei um raspanete. Sei que ela estava mais desiludida, do que zangada. Saí disparada para o corredor. Chorei! Chorei zangada com o árbitro, com o Abel Xavier, com a eliminação e com a minha avó que não compreendia a minha dor.

Meses e anos passaram e a minha avó continuou a mencionar este episódio como prova de que eu estava a mudar. Já não era a menina sensível e sossegada. Dentro de mim, estava já em ebulição uma espécie de revolução. Era o futebol a fazer das suas.

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